Amantes das criptomoedas ajudam a ampliar uso no varejo

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Por Roseli Lopes para Mercado Bitcoin

São Paulo – Uma parceria fechada, no último mês de março, entre a CoinPayments, maior processadora global de pagamentos em criptomoedas, e o Digital Manager Guru, plataforma de soluções e gestão de vendas online com sede na cidade de Santarém, em Portugal, vem criando oportunidades para que as moedas virtuais cresçam no varejo brasileiro como meio de pagamento.

Distante quase 7.500 quilômetros de seus 400 clientes, todos no Brasil, o Guru processou, em 2021, uma média mensal de R$ 33 milhões em transações envolvendo vendas de terceiros pela internet. Em 2022, subiu para R$ 54 milhões ao mês e apenas em maio somou R$ 70 milhões.

Esse resultado está apoiado na oferta de soluções na plataforma voltadas a clientes que não são lojas virtuais, mas fazem negócios pela internet, como cursos online, startups de sites, produtores de conteúdo, clubes de assinatura, entre tantos outros. São mais de 100 integrações oferecidas pelo Guru, em especial 15 processadores de pagamentos. Mas o que distingue a empresa no mercado é o seu modelo de cobrança das transações, diz o brasileiro André Lado Cruz, criador e CEO do Guru, com 20 anos de experiência em e-commerce e meios de pagamento.

“Nosso grande diferencial é que não cobramos taxa sobre cada venda feita, mas uma mensalidade fixa, baseada na quantidade processada. É um pacote como se fosse um plano de telefonia pré-pago”, explica Cruz.

Esse formato, diz ele, é vantajoso para quem usa o Guru. “Tenho um cliente que pagou, em maio, uma taxa de 75 euros (pouco menos de R$ 400 na cotação de hoje) por um pacote de transações que gerou a ele um faturamento de R$ 2,4 milhões naquele mês”, conta Cruz, que reside em Portugal desde 2017 e já recebeu dois aportes de capital da Portugal Ventures para sua empresa.

Estímulo às criptomoedas

Agora, o Guru está ampliando as vantagens aos clientes. “Toda transação feita em criptomoeda com checkout via CoinPayments estará isenta do pagamento de qualquer taxa”, diz. “Gosto muito do mercado cripto, acredito nele, acompanho há muito tempo e considero uma excelente opção porque o custo das transações com a moeda é muito menor. Por isso queremos incentivar nossos clientes a aderir a ela, a aceitar as moedas digitais em suas vendas”, diz o CEO do Guru.

Desde o início da isenção o volume de operações em criptomoedas vem crescendo entre 5% e 10% no total mensal de operações. Em 2022, até maio, as transações do Guru como um todo somaram R$ 268 milhões, ante R$ 396 milhões em 2021 inteiro. A meta é fechar o ano com R$ 1 bilhão em movimentação financeira de clientes. Nesse universo, as criptomoedas ainda representam pouco, mas estão crescendo, fala Cruz.

Para a CoinPayments, a estratégia do Guru para popularizar as moedas digitais é mais que bem-vinda. “Acho excepcional porque meu trabalho é trazer para o mercado das criptomoedas o maior número de lojistas que aceitem o pagamento nesses ativos. O Guru já tem relacionamento com vários lojistas e, portanto, ativar o pagamento em cripto é mais simples”, diz Rubens Neistein, business Manager da CoinPayments.

Cripto Beer

Trazer novos comerciantes para o mundo cripto também é o objetivo de José Silva, desenvolvedor de sistemas em São Paulo e proprietário de uma software house. “Em 2017, me encantei com o mundo cripto, digo que fiquei apaixonado pelas criptomoedas e comecei a pensar em como fazer da moeda um meio de pagamento”, diz.

Silva conta que a todo bar ou restaurante que ia perguntava por que não recebiam em moedas digitais. E descobriu que as pessoas não tinham conhecimento a respeito. Foi quando surgiu a ideia de unir duas paixões: as criptomoedas e a cerveja.

Em 2021, ele se juntou à química e mestre cervejeira Daniela Kristeller, que também é adepta das criptos, para lançar a Cripto Beer, cerveja artesanal desenvolvida por Daniela e produzida de forma terceirizada na cidade paulista de Campinas, com venda exclusiva na internet e valores convertidos em criptomoedas. “Com o amadurecimento desse mercado e a entrada de investidores institucionais, era o momento certo de romper com a restrição que muitos têm em receber pagamentos em criptomoedas em bares e restaurantes”, diz Silva.

Cripto Beer José
José Silva (foto), da Cripto Beer: cerveja para ampliar recebimento em criptos (Divulgação)

Mas só a cerveja não era suficiente, diz Silva. “O dono de um restaurante ou bar associa o recebimento em criptomoedas a uma coisa difícil, complexa, então mostramos que não é, e que se não recebe em criptos está abrindo mão de um público interessante e que cresce, que é o usuário das moedas digitais”.

Hoje, ele percorre restaurantes e choperias para levar informação aos varejistas. Desse movimento começaram a surgir os estabelecimentos batizados de Cripto Beer Friendly. “Vou até bares, choperias e restaurantes, mostro as opções que têm para receber em criptomoedas, as vantagens, as soluções que podem ser usadas e como transformar as vendas em criptos para reais ou mantê-las sem conversão em uma carteira digital. E, claro, divulgamos nossa cerveja, porque, afinal, não tem coisa melhor do que romper barreiras sentado à mesa de um bar bebendo cerveja”.

Fonte: Bloomberg Línea

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