Bitcoin atinge US$ 50mil e ensaia novo rali

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Especialistas veem tendência de alta nos próximos meses e potencial de cotação superar recorde.

O bitcoin teve valorização de 45% em um mês e ensaia voltar ao topo histórico visto em abril, quando chegou a atingir quase US$ 65 mil. A criptomoeda mais famosa do mundo superou ontem, pela segunda vez em dois dias, a casa dos US$ 50 mil na máxima da sessão.

No domingo, a cotação do bitcoin no melhor momento da sessão tocou os US$ 50,1 mil, mas depois retornou ao patamar de US$ 49 mil, segundo dados da Coinmarketcap.com. Nesta segunda-feira a criptomoeda voltou a testar o teto e chegou a ser negociada a US$ 50,5 mil antes de retroceder para US$ 49,2 mil.

De 24 de julho até 23 de agosto, o bitcoin acumula um avanço de 45%. A criptomoeda saiu de um patamar de US$ 33,9 mil para os atuais US$ 49,2 mil. Segundo especialistas ouvidos pelo Valor, ainda que a volatilidade do mercado seja historicamente elevada, a alta tende a continuar e, com isso, levar o criptoativo de volta aos patamares recordes ou até mesmo acima dos US$ 65 mil nos próximos meses.

O gestor de portfólio da Hashdex, João Marco Cunha, enxerga um movimento de correção após o tombo que se seguiu às máximas históricas da criptomoeda. “Foi uma queda muito acelerada e exagerada, sem ter fatores tão relevantes para isso”, afirma. “Questões que motivaram o recuo a partir de abril, como os tuítes do CEO da Tesla, Elon Musk, não deveriam ter tanta relevância tanto para puxar as cotações para cima quanto para derrubar os valores”, acrescenta.

De acordo com Cunha, um fator preponderante no movimento de baixa do segundo trimestre foi o desligamento de mineradoras de bitcoins na China, quando as autoridades proibiram a atividade no país asiático. “Isso, de fato, tirou capacidade de mineração da rede do bitcoin e, com isso, afetou o mercado. Mas, como a gente mesmo analisou na época, o hardware migraria para outra parte do mundo e esse poder computacional que se perdeu na época voltaria em breve. E é o que está acontecendo agora.”

Para o gestor da casa especializada em fundos de criptomoedas, a tendência é de o bitcoin, pelo menos, retomar o patamar dos US$ 60 mil visto em abril. “É claro que sempre pode aparecer uma surpresa positiva ou negativa, mas nada impede que a criptomoeda retome os valores recordes vistos anteriormente.”

O executivo de novos negócios do Mercado Bitcoin, Bruno Milanello, explica que um movimento técnico monitorado pelo mercado é o fluxo de entrada e saída de criptomoedas nas “exchanges”. “Toda vez que tem um fluxo de entrada grande das carteiras para as exchanges esse movimento antecede uma queda, porque quem coloca as criptos dentro das exchanges pretende vender.” Mas, atualmente, afirma o especialista, “os estoques nas exchanges estão diminuindo, o que significa que tem mais investidor segurando as critpos e, com isso, há menos oferta no mercado”.

Segundo Milanello, o fluxo indica que “quem comprou nos últimos meses está confortável com o nível no qual adquiriu os criptoativos e vai esperar um ciclo de alta para realizar lucro”. Além disso, “quando os mineradores chineses desligaram as máquinas para transferir para outros países, o impacto foi evidente no começo, mas agora a atividade está voltando ao normal, o que ajuda na tese otimista das critpos”, avalia o executivo.

“Do ponto de vista técnico, os fatores corroboram para que tenhamos uma retomada dos níveis de preços vistos em abril e, possivelmente, até além”, diz o especialista do Mercado Bitcoin. “Acho que vamos ver novo ‘all time high’ das criptos neste ano.”

O CEO da plataforma de conexão de institucionais com o mercado cripto Parfin, Marcos Viriato, afirma que, “nas últimas duas a três semanas, tem um movimento menor de venda [de criptomoedas] pelos mineradores, ou seja, tem minerador segurando bitcoins minerados”. O especialista avalia que o fluxo tem mostrado uma demanda significativamente superior à oferta e, com isso, muitos agentes do mercado veem potencial de valorização do bitcoin para as casas de US$ 80 mil a até US$ 100 mil ainda neste ano.

Conforme Cunha, da Hashdex, a demanda de institucionais também tem desempenhado papel na sustentação da tendência de alta. A procura pelos criptoativos tem crescido e se consolidou mesmo durante o período de baixa recente. Na visão do gestor, os dados do próprio ETF lançado pela Hashdex em 2021, ou seja, um fundo de índice com cotas negociadas na B3, que segue o referencial global Nasdaq Crypto Index (NCI), ilustram essa tendência. “Quando olhamos os números do ETF vemos uma parcela bem grande de institucionais. Tem vários fundos multimercados entre os investidores, o que mostra que o produto destravou potencial de demanda do institucional.”

O diretor da CoinPayments no Brasil, Rubens Neistein, também aponta o interesse institucional global como um dos fatores de sustentação da nova alta do bitcoin. “Vários grande bancos internacionais têm comprado e encarteirado o bitcoin em fundos de investimentos e despejado grandes valores no mercado”, explica. “Além

disso, recentemente, o PayPal anunciou a expansão do serviço internacional de compra e venda de criptomoedas pela sua rede para o Reino Unido e teve uma demanda bem maior do que esperava”, acrescenta.

Conforme Neistein, o bitcoin pode voltar a testar os pisos de US$ 43 mil ou US$ 44 mil nos próximos dias. “Mas em dois ou três meses vamos ver a criptomoeda de volta à casa dos US$ 60 mil”, afirma. O executivo pondera que analistas técnicos apontam para a possibilidade de o bitcoin alcançar US$ 100 mil até o fim do ano. “Os fundamentos mostram que isso pode acontecer, sim, até o fim do ano. Mas, para isso, seria preciso ter um rompimento de topo acima de US$ 64 mil até o começo de outubro.”

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