Criptomoedas são tão simples quanto o Pix, diz processadora de pagamentos

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Ao fazer uma compra online, o consumidor tem várias opções de pagamento, como cartão de crédito, débito, boleto ou Pix. A CoinPayments quer popularizar uma modalidade diferente no Brasil: pagar com criptomoedas.

“Criptomoedas são tão simples quanto o Pix. Depois que a pessoa aprende e vê que não é um bicho de sete cabeças, a coisa flui. Não existe um problema de segurança, de ser hackeado. A pessoa precisa apenas ter os cuidados de segurança normais que já tem com as contas bancárias”, diz afirma Rubens Neistein, business manager da CoinPayments.

A empresa é uma processadora de pagamentos em criptomoedas que já funciona em mil lojas online brasileiras e tem a meta é chegar à marca de 2.000 até o final do ano, focando em e-commerce de varejistas tradicionais. Atualmente, a maior parte das lojas que oferecem o meio de pagamento são sites de jogos e marketplaces de NFTS.

“Meu trabalho é integrar o meio de pagamento para plataformas de e-commerce para o sistema se disseminar e oferecer mais uma opção aos brasileiros. Quem tem criptomoeda, além de ter sua carteira para investir, pode usar os ativos para pagamentos. Basicamente somos um PayPal das criptos”, afirma Rubens Neistein.

Mas como isso funciona? Assim que a empresa contratar o serviço, a funcionalidade fica disponível ao consumidor. Na hora de escolher a opção de pagamento, aparecerá uma relacionada às criptomoedas: a pessoa escaneia um QR Code com o celular para concluir transação.

Leia a entrevista de Neistein ao 6 Minutos:

Como você enxerga o mercado de pagamentos com criptomoedas? 

A B3 tem 3,2 milhões de CPFs e, até dois anos atrás, eram 1,8 milhões. O número dobrou por causa da taxa de juros baixa, o que fez as pessoas ficarem mais dispostas a assumir risco. Mas levou 50 anos para chegar a esse nível.

As criptomoedas têm uns 8 anos de existência e de lá para cá já temos 2,8 milhões de CPFs de brasileiros cadastrados em contas de corretoras no Brasil. O número representa pessoas físicas que entraram para comprar criptomoedas ou para entender como o mercado funciona. Uma parte muito ínfima usa para fazer pagamentos.

Apesar disso, a CoinPayments transacionou US$ 75 milhões no Brasil no ano passado e o número vai dobrar neste ano. Então, a adesão é crescente, mas muito abaixo ao ser comparada com o tamanho do mercado de pagamentos brasileiro, que movimenta trilhões por ano. Como pagar com criptomoedas ainda é novo, a adesão é linear e mais lenta. Em algum momento, vai ter uma inflexão, uma curva de adoção mais rápida e mais intensa.

Agora estamos fazendo um trabalho de educar o mercado, que é muito importante. Eu não acho que o mercado está maduro, de forma alguma.

O que falta para que o mercado amadureça mais rapidamente e para que mais pessoas comecem a pagar com criptomoedas?

Faltava uma solução para facilitar a transação. A usabilidade da nossa ferramenta, por exemplo, é muito fácil e isso ajuda o público final a desmistificar a complexidade do pagamento.

A segunda questão é que, na cabeça das pessoas, criptomoedas são apenas para guardar, para investir, não para fazer pagamentos. Hoje, temos stablecoins [moedas vinculadas a algum ativo estável], como o criptodólar, que são fáceis de trabalhar e você não fica vulnerável à volatilidade da moeda.

Além disso, o mercado precisa começar a adotar o sistema. Uma coisa depende da outra: para os usuários poderem usar, os lojistas precisam aceitar o meio de pagamento. Estou fazendo um trabalho com os lojistas para aumentar o número de empresas que aceitam, e também de divulgação para o público final.

Quando o Banco Central lançar o real digital, isso vai ajudar a impulsionar os pagamentos em criptomoedas?

Sem dúvida, porque vamos ter mais uma criptomoeda no mercado, que é o real digital. A moeda vai estar na blockchain, então provavelmente vamos conseguir integrar no nosso sistema para ser usada como pagamento. É bom para os dois lados: o lojista vai receber reais à vista sem chargeback, sem problema de devolução do valor, com taxa de 0,5%, o que é bem abaixo do que o mercado pratica nas transações de pagamento.

O varejo deve começar a aceitar bitcoins em breve? Como está esse movimento?

Já existem grandes players no mundo aceitando, como o Burger King [no exterior], a Nordstorm e a Overstock. Walmart e Amazon obviamente são empresas que levam mais tempo, porque têm uma base gigantesca, então precisam estudar melhor, mas eu tenho certeza que isso está sendo visto por todos os grandes varejistas do mundo, que vão começar a aceitar em breve.

Essas notícias que estão saindo [especulando sobre a Amazon e o Walmart aceitarem criptomoedas como meio de pagamento] é exatamente a representação daquele ditado de que “onde tem fumaça tem fogo”. Pode ter certeza que isso vai acontecer.

E isso deve acontecer logo no Brasil?

Eu acho que vai levar um tempinho. O Pix, por exemplo, foi uma função a mais integrada no aplicativo do banco do usuário. Foi questão de aprender uma funcionalidade a mais. Com as criptomoedas, a pessoa precisa baixar uma carteira nova, tem todo um novo aprendizado envolvido.

A curva de adoção é mais lenta, sem dúvida, mas a partir do momento que você tem uma massa de pessoas que começam a usar, acelera o processo. As carteiras digitais, por exemplo, tiveram uma adoção mais lenta no começo, mas agora deram um boom. Acredito que em um ano, um ano e meio,  vamos começar a ter uma aceleração nesta forma de pagamento.

Como romper a insegurança das pessoas sobre usar criptomoedas?

Essa barreira é educacional, porque criptomoedas são tão simples quanto o Pix. Depois que a pessoa aprende e vê que não é um bicho de sete cabeças, a coisa flui. Não existe um problema de segurança, de ser hackeado. A pessoa precisa apenas ter os cuidados de segurança normais que já tem com as contas bancárias.

O que vocês esperam para a CoinPayments nos próximos anos?

A meta é ter 2 mil lojas aceitando criptomoedas até o final do ano. Saímos de 22 mil wallets para 35 mil em quatro meses. A meta é termos uma base cada vez maior de lojas. Até ano que vem, queremos chegar a 5 mil lojas e ir crescendo organicamente de forma mais acelerado, além de trazer pelo menos 100 mil brasileiros para a solução.

Que tipos de empresas já aceitam criptomoedas como pagamento?

Muitos sites do meio cripto, que vendem serviços de criptomoedas, sites de jogos, de NFTs e portais de marketplaces de NFTS. Agora estou fazendo um trabalho com as plataformas de e-commerce para levar mais para o varejo mesmo, para serviços e produtos do dia a dia.

Fonte: 6 minutos

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